Doce Submissão

20/03/2010 at 15:06 (Contos Eróticos) (, )

Eu sempre era pega de surpresa por ele. Apesar de já estar acostumada, o frio na barriga sempre vinha. Talvez porque ele nunca era previsível, sempre tinha um ar de mistério no rosto e um novo truque nas mangas….

Era tarde da noite, estava voltando de um happy hour com as amigas. Roupa simples, um vestidinho leve e soltinho, pois estava fazendo muito calor. Salto alto, era sempre como eu andava. O decote na parte de trás do vestido era do comprimento dos meus cabelos que beiravam a altura dos seios, quase imperceptível pois meus cabelos soltos cobriam a maior parte do decote. Eu já estava meio alta pois havia bebido um pouquinho além da conta, porém nada que um cafezinho quente não resolvesse.

Não fui de carro pois sabia que beberia a mais naquele dia, então fui de carona com a bola da vez, uma amiga nossa que nunca gostou de beber. Estávamos chegando perto do meu apartamento, então pedi que ela parasse o carro na esquina da quadra para não precisarem perder muito tempo entrando lá. Disse à elas que o apartamento estava próximo e não seria necessário que esperassem que eu entrasse no condomínio pois ainda não estava tão tarde assim. Então elas seguiram o caminho delas e eu o meu.

Confesso que aquele vestidinho provocante que eu estava, bem coladinho no corpo, não ajudava em nada o meu estado naquele momento. Seja qual fosse a hora, com certeza haveria riscos. Eu estava indefesa e seria uma presa fácil pra qualquer um que passasse.

Bom, como havia me divertido muito naquela noite, conhecido várias pessoas e beijado muito, não estava esperando mais por ele. Não naquela noite. Ele era um homem comprometido e assim como eu, era uma pessoa muito atarefada. Quase não tínhamos tempo de nos encontrar. Sabia muito bem de como ele gostava que fossem nossos encontros, às surpresas. Porém naquela noite eu realmente não esperava encontrá-lo, muito menos daquela forma. Mas foi inevitável.

Andando em direção ao meu apartamento percebi que a portaria já estava fechada. O segurança com certeza deveria estar tirando o seu “cochilo” costumeiro. A escuridão não estava me dando medo mas como não podemos facilitar nos dias de hoje, eu seguia olhando para todos os lados. Porém foi tudo muito rápido, num momento mínimo de distração e eu já estava em seus braços. Ele havia me pego por trás, não tive tempo de olhar na hora e duvidava muito que fosse Bruno pois nem havíamos nos falado pela manhã. De repente me vi em desespero, estava acostumada a pertencer à Bruno de diversas formas possíveis, mas à um desconhecido? Não! Não poderia ser assim! Me senti completamente fora do controle. Senti minhas mãos sendo amarradas por trás do meu corpo e o resto da corda envolvendo minha cintura. Meu cabelo sendo puxado para trás e eu sem nenhum sucesso tentava olhar as mãos do meu mais novo algoz. Ainda tentava descobrir se não seria o Bruno e mais uma de suas surpresas, porém ele percebeu a minha tentativa de olhar para alguma parte do corpo dele e me deu um forte tapa no meu rosto fazendo com que eu quase perdesse os sentidos. Talvez nem tanto pela força do tapa mas também pelo fato de eu não estar tão em mim naquela hora e de já ter bebido além da conta. Fraquejei. Desejava muito que fosse Bruno e não outra pessoa. Estava realmente com um medo imenso imaginando o que seria de mim dali pra frente. Se estivesse mesmo nas mãos de um estranho eu, além de tudo que poderia passar, estaria correndo risco de vida.

Suas mãos percorriam meu corpo e me apertavam de um jeito que me deixava estranhamente alucinada. Aquela forma de me tocar era igual a de Bruno. Mas porque ele não havia entrado em contato comigo antes? Não poderia ser ele!

O estranho me puxou pela corda que prendia meus braços e foi me arrastando pra trás, para nos aproximarmos do carro. Por um instante consegui desviar o olhar e logo pude ver o carro de Bruno. Uma sensação de alívio repentino fez com que eu amolecesse o corpo e quase caísse nos braços dele. Só consegui sussurrar algumas palavras naquele momento:

- Bruno, é você meu amor?

E só ouvi como resposta sua voz firme e num tom sério:

- Você traiu minha confiança!

Pronto, fiquei sem palavras no momento. Estava pensativa. Como eu poderia ter traído a confiança dele? Era impossível isso acontecer. Primeiro porque não tínhamos compromisso sério um com o outro, daqueles que cobram fidelidade. Segundo porque só se trai a confiança de um dom se um dia nos comprometermos com outro, ou se servirmos à outro sem o consentimento do primeiro, ou ainda assim se mentirmos ou omitirmos algo, fora isso nada seria injustificável. Realmente não estava entendendo. Mas estava muito receosa com o que podia estar por vir. Se eu conhecia bem Bruno, saberia que àquele dia não seria um dos melhores dos nossos dias juntos.

Ele sempre foi um dom sério, obstinado, firme nos seus comandos, não costumava voltar atrás em nada. Além de tudo isso costumava demonstrar ser uma pessoa bem ciumenta e possessiva. Apesar de nunca ter passado dos limites eu ainda assim sentia um medo indescritível quando estávamos sozinhos, porém era este sentimento que me mantinha sempre aos pés de Bruno. Este ar misterioso que ele tinha, este jeito possessivo, sério porém carinhoso, tudo isso me levava à loucura. E Bruno sabia usar muito bem isso à favor dele. Sabia que aquele jeito sedutor me fazia querer sempre ele, cada vez mais e mais. O desejava tanto que abria mão de muitas coisas para podermos viver este nosso, digamos, relacionamento.

Bruno não me proibia de encontrar e sair com outras pessoas. Tínhamos nossas vidas pessoais e sociais distintas. Ele e a vida dele com a noiva, e eu e minha vida com meus namoros passageiros e ficantes variados. Ele não gostava muito dos meus envolvimentos com outros homens, mas estava aí uma coisa que ele não podia questionar. Eu era livre para isso, e tinha que ter minha vida social por fora já que não poderia formar uma com ele que não pensava em momento algum em terminar com a tal noiva. Na verdade eu já tinha até me acostumado com isso. Ser “a outra” daquela forma para mim era muito conveniente. Bruno me seduzia e muito, mas nunca fiz planos de ter uma vida com ele, pelo contrário, gostava de separar esse estilo de vida do meu mundo pessoal. Era muito gostoso e emocionante, era como ter duas vidas e vivê-las de uma forma só, à minha maneira. Não estava disposta a mudar isto.

Ainda intrigada com a frase dita por Bruno resolvi que não esperaria por uma resposta mais clara, iria questioná-lo até que falasse de uma vez por todas o que estava acontecendo.

- Bruno, não entendo, como eu posso ter traído a sua confiança? Eu não fiz nada. Não que eu saiba e, pelo visto, nem o Senhor sabe!

- Como ousa me desafiar dessa forma?

- Não estou desafiando, amor! Estou cobrando uma resposta para estar agindo assim. Sabe que eu morro de tesão quando faz isso, mas só quando sei os motivos mesmo que não seja nada demais. Assim, sem motivos e com esse jeito que o Senhor está hoje, está me deixando com medo.

- Sabe que não farei nada que você não queira, não sabe?

- Sabe que quero tudo o que vem do Senhor, não sabe?

- Não responda minhas perguntas com outras perguntas! Diga somente: “Sim Senhor!” ou “Não Senhor!”. Fui claro?

- Descul… quer dizer… sim Senhor!

- Quer uma resposta, não é mesmo minha cadelinha?! Então escuta o que vou te dizer!

Falando isso, Bruno me colocou de joelhos no chão de uma forma tão brusca que cheguei a sentir uma dor que parecia vir de dentro, como um choque. Fiquei ali, do jeito que ele havia me deixado.

- Olhe para baixo!

Obedeci. Tentando ainda entender seus motivos e buscando lá no fundo da minha memória encontrar algo que eu tivesse feito e talvez pudesse tê-lo deixado magoado ou algo parecido, mas nada. Tudo parecia sem sentido. E Bruno então começou com seu discurso:

- Letícia, não estou aguentando mais! Sei que não combinamos isso mas é impossível eu evitar. Sei que pode não parecer, mas eu gosto muito de você. E não gosto quando a vejo com outras pessoas. Você está desrespeitando o nosso trato. Combinamos que poderia ficar com quem quisesse e até que poderia namorar se assim fosse do seu desejo, porém combinamos também que não faria nada disso na minha frente!

Estranhei muito aquela situação. Sabia que ele gostava de mim, mas não daquela forma, com aquela intensidade. E confesso que apesar do medo que sentia, estava gostando muito de tudo aquilo.

- Bruno, você tem a sua vida e eu a minha. Combinamos assim e nunca deixei transparecer nada quando estamos juntos. Mas quando saio tenho todo o direito. Eu não sou a sua noiva. Eu sou seu brinquedinho. Gosto que você me use, mas não estou a fim de cobranças!

- Se assim quer, assim será!

Bruno fez menção de soltar minhas amarras e uma angústia enorme tomou conta do meu coração. Sabia que ele não gostava de levar desaforo. Se estava me soltando era porque iria embora e talvez não voltasse nunca mais. Tinha que tomar uma atitude para não deixar que aquilo acontecesse. Eu ainda precisava muito dele, na verdade eu o amava tanto quanto ele dizia me amar. Definitivamente não poderia viver sem ele. E isso talvez significasse perder por completo a minha liberdade que eu tanto prezava.

- Senhor, me perdoa! Não foi o que quis dizer!

Bruno parou de soltar as amarrações. Parou por um instante e me olhou com o ar mais sedutor do mundo, deu um sorrisinho sacana de lado, quase imperceptível naquela boquinha maravilhosa que me deixava super excitada.

- Eu sabia que não estava falando sério! Tem que aprender que meus desejos são uma ordem. Se não aceita isso, terá que aprender a viver sem me ter ao seu lado.

Me subiu o sangue naquela hora. Fiquei com muita raiva. Como ele poderia ter sempre o controle da situação? Porque ele sempre estava com a razão? Que dominação era essa que me deixava no chão sem ao menos tocar em mim. Ele estava fazendo de propósito, só podia. Sabia que meu maior pesadelo seria um dia deixar de pertencer a Ele. Seria não ter mais aquele corpo junto ao meu. Aliás, corpo que ele preservava muito bem, e se sentia orgulhoso por isso. Fazia o tipo sarado, apesar de ser 8 anos mais velho que eu (que já estou com 22) ele não deixava isso aparentar nem um pouco, nem no corpo, nem no estilo, nem no jeito de ser. Era um eterno garotão.

Até quis revidar o que ele havia dito, mas estava sem forças, e na verdade não era o que eu queria. Eu realmente gostava de estar nas suas mãos.

- Amor, só me conte o que eu fiz para eu poder entender e não repetir. O Senhor falou sobre várias coisas, mas ainda não achei meu erro.

- Fui te buscar depois do Happy Hour com suas amigas. Cheguei um pouco cedo e te vi saindo de lá acompanhada.

Ah, agora havia entendido tudo. No meio da farra eu encontrei um velho amigo que não via há muito tempo. Foi com ele que sai pra fora por alguns instantes. Estava tão fora de mim que não pensei que alguém poderia estar vendo. Na verdade estava totalmente maluca, pois nessa saída acabei ficando com este meu amigo. E não ficamos só nos beijos não, passamos da conta.

Nós estávamos ao lado da churrascaria, num local mais escondido. Porém nem tão escondido assim pois quem passasse por lá poderia ver eu e ele nitidamente, como aconteceu aliás.
Num cantinho, cheios de tesão, meio altos não sabíamos se por conta da bebida ou pelo desejo que estávamos sentindo naquele momento. Ele tocava meu rosto, puxando pra perto dele, sugando meus lábios com toda a intensidade que ele podia. Colocava a língua dentro da minha boquinha e saia de leve tocando meus lábios terminando com leves mordidinhas entre um suspiro e outro. Já estava toda molhada de tesão. Ele também não conseguia esconder mais o tesão já que seu pau latejava por dentro da calça e, de tão duro que estava já ficava bem evidente, me fazia delirar só de olhar aquele volume todo por dentro da calça do meu amigo. Ele também não estava se contendo. Deslizou as mãos pelos meus ombros passando por trás e alcançando minha bundinha empinada. Deu um aperto tão forte nela que eu quase dei um grito, não de dor, mas de prazer. Ele viu que eu estava gostando e continuou com as carícias, dessa vez um pouco atrapalhado foi descendo as mãos pelas minhas pernas, no fim só as tocava com a pontinha dos dedos me fazendo sentir um friozinho delicioso na barriga. Com uma das mãos, ele foi levantando de leve meu vestido, foi seguindo as curvas da minha bunda até que com a pontinha do dedo indicador ele pode sentir o quanto ele estava me deixando maluca. Resmungou no meu ouvido:

- Se soubesse que conseguiria te deixar desse jeito já tinha tentado antes.

- Seu cachorro! – foi a única coisa que consegui balbucilar na hora. Estava totalmente trêmula, aquele calor do momento não estava me deixando aguentar nas minhas próprias pernas. Mais um suspiro dele no meu ouvido:

- Vem!?! Deixa eu sentir você!

Me derreti toda. Ele que já estava escorado no murinho que tinha perto de nós se sentou nele e, com as pernas entreabertas, me puxou para mais perto e voltou a passar os dedos por cima da minha calcinha, alcançando o clitóris. Fazia movimentos suaves que foram se intensificando à medida que percebia que meus gemidos ficavam mais fortes. Meu corpo ficando cada vez mais mole e eu sentindo o tesão dele com minhas mãos que já passeavam por cima da calça dele. De leve fui abrindo o zíper e acariciando o pau dele por cima da cueca. Não sei nem como consegui puxá-lo de dentro da calça, estava tão duro que assim que saiu pra fora ficou mirando pra cima, na posição certa! Pensava eu. Fiz menção de chupá-lo porém meu amigo não deixou. Estava com muito tesão e disse que se eu chupasse o pau dele eu poderia acabar com a diversão pois ele não conseguiria mais controlar e acabaria gozando. Foi uma pena, já estava sentindo aquele pau quentíssimo dentro da minha boquinha.
Como ele viu que não aguentaria por muito tempo, me levantou (pois havia me abaixado um pouco pra abocanhar o pau dele) e, pegando pela minha cintura, me virou de repente. Se levantou e foi logo beijando minha nuca, me fazendo ter arrepios e tremidas pelo corpo todo. Me encostou na parede fria que contrastava com a quentura que estavam nossos corpos, usou uma das mãos para levantar meu vestido e com a outro foi puxando minha calcinha. Me envolveu com seus braços e desceu a calcinha com a mão na frente perto do clitóris que já estava inchado de tanto tesão. Quando conseguiu abaixar minha calcinha foi com a outra mão por baixo do vestido e alcançou meu buraquinho. Enquanto pressionava com um dedo também me apertava contra a parede e dava mordidinhas na parte de trás da orelha. Nossa!!! Não estava me aguentando…

- Vou gozar! – Disse com a voz trêmula e suave.

Ele não respondeu, apenas parou de tocar meu cuzinho e levantando mais meu vestido se aproximou mais e com toda a força que ele conseguiu ter naquele momento estocou todo o seu pau dentro da minha bucetinha. Subiu as mãos rapidamente pela minha cintura enquanto começava a bombar bem forte, alcançou meus seios, os tirou por cima do decote do vestido. Meus biquinhos estavam durinhos então ele os apertou com aquelas mãos de toques deliciosos. Foi massageando meus seios e continuava no vai e vém. Minhas pernas foram ficando moles, aquele arrepio pelo corpo novamente. Senti minha xaninha esquentando por dentro, tão sensível a cada investida dele dentro dela. Não consegui segurar e…

- Ahhhhhhhhhhhhh…

Amoleci na mesma hora, fazendo meu corpo pesar sobre o membro dele que ainda estocava com toda a força. Não demorou muito e escutei ele urgindo e falando no meu ouvido:

- Sua safada! Toma meu pau! É assim que você gosta né!

E num espasmo de prazer me agarrou por trás e numa estocada bem forte soltou um barulho tão alto que se alguém tivesse passado ali por perto poderia ter escutado:

- Uhhhhhhhhhhh…

Encostamos na parede, os dois corpos bem moles e suados. Aquele cheiro delicioso dos nossos sexos. E voltando à sensação de perigo por estarmos na rua àquela hora e aprontando daquele jeito.
Depois de um tempo nos ajeitamos, trocamos mais algumas palavras, nossos telefones e depois voltamos pra dentro da churrascaria. Realmente tinha sido uma noite alucinante e que, pelo visto, com a chegada de Bruno, não tinha nem começado.

Depois de alguns minutos refletindo sobre aquele momento, lembrar de alguns detalhes me fez ficar toda molhada novamente. Bruno percebeu minha excitação e não gostou nem um pouco.

- Eu vejo no seu semblante que aquele garoto conseguiu te provocar de verdade!

Só abaixei a cabeça. Eu não podia negar àquilo. Carlos realmente tinha me deixado mechida por dentro. Não sei se pela intensidade do momento ou se porque ele tinha despertado algum sentimento em mim. De qualquer forma não poderia simplesmente fingir que não havia acontecido nada. Também não me achava culpada. Se Bruno tivesse visto algo a culpa não era minha. Eu não fiz de propósito, me deixei levar pelo momento. E até então eu não havia me arrependido de nada. Bruno teria que aceitar pois, pelo jeito que eu e Carlos nos despedimos na churrascaria com certeza haveria uma segunda vez. Talvez mais que isso pois a nossa química tinha sido perfeita.

- Vou te mostrar que você é só minha! E eu não pretendo mais dividi-la com ninguém!

Falando isso, Bruno me levantou ainda puxando pela corda. Abriu a porta do carro (de pintura preta e vidro fumê, um carro tão cheio de mistério quanto Bruno) me jogou no banco traseiro, deitada, de forma meio incômoda pois as mãos amarradas pra trás não me permitiam outra posição. Tocou o carro sem me dizer mais nem uma palavra. No fundo estava sentindo muito tesão com o que estava acontecendo mas não conseguia esconder o medo que estava sentindo dele e da situação. Sabia que ele não faria nada que eu não consentisse, ele respeitaria meus limites. Mas a pergunta que sondava a minha cabeça a todo momento era se eu saberia respeitar meus próprios limites. Aquele homem significava muito na minha vida e talvez eu ultrapassasse várias barreiras por ele, barreiras que poderiam significar riscos seríssimos à mim mesma. Mas falhar com ele poderia fazê-lo desistir de mim e eu não estava disposta a perdê-lo. Seria mais forte do que nunca. Bem mais forte do que ele poderia imaginar.

Bruno abriu primeiro o porta-malas. Pude escutar ele retirando algumas coisas de lá de dentro e os passos seguindo para a casa. Por um instante uma sensação incômoda percorreu meu corpo. Ele pegara as coisas e não voltara logo, será que me deixaria ali por muito tempo? As cordas já estavam me apertando bastante, quase prendendo a circulação. Meus pensamentos estavam a bilhões por hora, ficava imaginando à todo o tempo o que ele poderia fazer comigo. A sensação de impotência era sutilmente deliciosa misturada à sensação de temor que me fazia permanecer ali, quietinha aonde estava. Tentava prestar atenção nos mínimos detalhes até que fui surpreendida por Bruno abrindo a porta do banco traseiro, onde eu estava. Fechei os olhos. Me segurei para não ter uma recaída e querer voltar atrás. Ele me puxou para fora do carro, dessa vez sem piedade nenhuma. Me fez cair de joelhos no chão. Na hora nem cheguei a sentir a dor, estava tão cansada, ainda com o cheiro de Carlos no corpo, o que me fazia delirar relembrando todos os detalhes da nossa noite.

Bruno me olhava com ar de reprovação e com um ciúme que transparecia mesmo ele não querendo. Me colocou de pé e só por um segundo pude contemplar a maravilha que era aquele lugar. Um local muito bonito e muito intrigante. A mansão realmente lembrava um castelo. Tinha estilo barroco com aquelas colunas enormes que se fixavam às paredes e às marquises. Tudo ali parecia ter vindo direto de um livro de fantasias. Uns banquinhos que cercavam o pequeno chafariz e em torno deles cercas baixas de flores das mais exóticas que eu já vi. Entre elas as Dálias, uma das minhas preferidas. O caminho que Bruno seguiu até a casa era todo feito de pedras das mais variadas. As portas e as janelas eram de madeira e representavam bem o estilo colonial daquele lugar tão encantador. A iluminação ficava por conta de pequenas lamparinas espalhadas por todo o canto. Tentava imaginar como ela seria por dentro e que ocasião tão especial era aquela que fez com que Bruno me levasse aquele local tão mágico. De quem era aquela casa? Como Bruno conseguiu encontrar um lugar tão distante, mágico e misterioso como aquele? Minha cabeça se enchia de questionamentos.

Bruno me segurou por um dos braços com aquelas mãos grandes de dedos finos e foi me levando para dentro da casa. Enquanto caminhávamos ele seguia ditando as regras para nossa estadia:

- Esta mansão é de um amigo e está à venda! Ficaremos nela por uma semana…

- Uma semana?! – eu interrompi ficando estática no mesmo momento – E meu trabalho? Como vou me justificar? – Perguntei realmente assustada com as conseqüências que aquelas “férias curtas” poderiam me trazer.

- Calma Lê! Parece até que não me conhece! Não disse desde o primeiro momento que tomaria conta de você?! Faço isso sempre, não só naquele dia! Como sabe, sou um velho amigo do seu chefe. Ele me devia alguns favores e, como conhecemos bem um ao outro, ele não me negou este. Então aproveite pois terá uma semana de sossego, pelo menos do trabalho!

Respirei nem tanto aliviada pois havia entendido muito bem que o sossego que eu teria seria só em se tratando de trabalho, o resto estava nas mãos de Bruno. Aliás, EU estava nas mãos de Bruno, por inteira, e isso ainda me assustava um pouco.

- Fiz planos pra nós dois a semana inteira. Não esperava que me decepcionasse dessa forma. Fui te buscar com a mais leve das piores intenções! – deu um sorrisinho sacana de lado, aquele sorriso sexy que sempre me encantava quando fazia menção de se abrir – tive que mudar algumas partes dos meus planos, mas não tudo. Vamos aproveitar bastante. E quero que, sempre que seu amigo ligar pra você, você o atenda como se nada estivesse acontecendo. Vou cuidar de você a começar por tentar descobrir a procedência desse seu tal coleguinha.

- Amor, deixa o Carlos quieto. Ele nem sabia de você. Se soubesse jamais teria encostado em mim.

- Não farei nada demais! Preciso saber com quem você está lidando para poder proteger você, só isso! Pode ficar tranqüila que seu coleguinha não sairá machucado disso. A não ser que ele te faça sofrer em algum momento. Aí a história muda!

Senti toda a proteção vinda daquele homem que para mim era mais que um dono, era um amigo que cuidava dos meus passos e que, pelo visto, não me deixaria cair nunca.

Meu corpo estava muito pesado, estava realmente cansada daquela noite cheia de surpresas. Queria muito um lugar pra descansar, mas parecia que Bruno não estava disposto a me dar descanso naquela noite. Assim que entramos na casa ele me fez deitar no tapete que, àquela altura, me parecia o local mais gostoso do planeta. Reparei no interior da casa, realmente rústica. Não tão grande por dentro quanto parecia por fora, mas aquilo só a tornava um lugar mais aconchegante. Bruno me deixou deitada ali e saiu por um longo tempo. Pelo pouco que pude perceber ele estava subindo com as malas que ele trouxera para a casa. Naquele momento me lembrei que eu não havia preparado mala alguma, como poderia permanecer por uma semana naquela casa sem alguns de meus objetos mais pessoais? Não havia levado roupas; nem toalha; nem objetos para higiene íntima como escova de dentes, depilador, nada! Como ficaria ali por tanto tempo sem coisas tão básicas como aquelas. Vi Bruno se aproximando.

- Tenho que voltar!

- E como acha que vai conseguir isso?

- Meu Senhor, eu preciso! Não peguei nada para trazer, como ficarei aqui sem meus objetos de higiene pessoal? Pior, só estou usando este vestido e esta calcinha. O que usarei depois?

- Já disse para não se preocupar bonequinha linda! Já cuidei de tudo, tudo mesmo! – disse ele dando voltas pelo tapete em que eu estava deitada. – Primeiro, estes objetos de higiene eu já reservei tudo. Passei em um mercado antes de vir pra cá. O local estava vazio à um bom tempo, precisava de alguns toques antes de virmos. A semana inteira teremos uma secretária do lar que virá arrumar as coisas, preparar nossas refeições diárias e depois tomará o caminho dela, tudo isso sem nos incomodar. Foi indicada pelo dono da casa que também a usava da forma que vamos usar e que também não pretendia que algo saísse dessas quatro paredes! Viu amor, você está em boas mãos! As atitudes que não serão tão boas assim!

- Mas, e minhas roupas. – perguntei eu, procurando uma posição mais confortável para poder conversar olhando nos olhos dele.

- Se eu fosse você não me preocuparia com isso. Você não precisará de nenhuma roupa enquanto estivermos aqui. Andará do jeito que veio ao mundo. Quero desfrutar da sua beleza por completo! Não vou cobri-la em momento algum, mesmo se tivermos visitas. Já ouviu o ditado: Não esconda do mundo o que não quer que escondam de você?!? Pois bem!

- Não estou preparada para isso, meu Senhor! Tenho vergonha de tudo e o Senhor sabe muito bem disso!

- Vergonha?! Você?! – Sorrisos sarcásticos saíram daquela boca maravilhosa – Não era o que estava parecendo. Aliás, você se mostrou bem sem vergonha para seu amiguinho e para quem passasse por ali!

- Ali foi diferente, estava num clima diferente e não foi minha intenção que alguém visse tudo!

- Pois eu vi. E nos mínimos detalhes!

Me calei. Realmente não haveria nada que eu pudesse falar naquele momento que fizesse com que Bruno mudasse de idéia. Ele estava irredutível. Não havia pedido opiniões e era quase um milagre ainda estar debatendo comigo.

- Estou exausta! – Disse por fim sentindo meu corpo mais pesado que nunca.

- Não se preocupe meu anjo. Hoje reservei uma noite linda para você, para que se lembre sempre de como posso ser um bom dono, se assim fizer por merecer! – dizendo isso me levantou e foi soltando as cordas de meus braços – Quero a minha amante aqui hoje, e não o meu brinquedinho!

Fui envolvida por seu braços e levantada pela sua força. Meus lábios logo se encontraram com o dele, num toque suave me deu um beijo que me fez flutuar. As carnes trêmulas, um efeito colateral por estarmos tão pertos naquele local esquecido, vivendo um conto que não era de fadas. Não havia quem o desejasse mais que eu, não haviam corpos que se comunicassem tão bem quanto os nossos.

Era uma sintonia perfeita!
Ele segurou meus braços e me afastou um pouco dele. Eu o olhava intrigada. Porque ele havia de parar agora? Seria um castigo novo? Ficar longe dele? Me privar daquela noite de amor tão desejada?
Seus olhos me encaravam como um animal encara sua presa mais apetitosa. E brincava comigo assim como alguns leões fazem com suas presas antes de devorá-las por inteiro. Me sentia sexy com aquele olhar sedutor me “comendo” pedaço por pedaço. Estava arrepiada por completo.
Bruno levantou a mão como se fosse me dirigir outro tapa daqueles. Desviei de imediato o rosto e surpreendentemente não senti dor alguma. Voltei para encarar Bruno novamente. Percebi quando ele baixou a mão lançando um olhar frio em minha direção. Se afastou e me deixou ali, estática, com o desejando se aflorando cada vez mais. Se aproximou de uma estante onde haviam alguns objetos como livros, esculturas e um controle remoto. Fiquei observando-o enquanto ele pegava o controle e se voltava para mim novamente, dessa vez com um sorriso malicioso e um olhar penetrante. Apertou um dos botões do controle e um estrondo espantoso ouvi a música ressoar vindo de um aparelho de som que estava um pouco distante de nós. Era um tango. Coisa de Bruno mesmo. Ele gostava dessa paz inquieta que esse tipo de música costumava causar. Olhei para Bruno novamente. Ele vinha se aproximando ensaiando alguns passos provocantes envolvido pelo som penetrante daquele tango que, pelo pouco que havia aprendido com ele, pude reconhecer o artista e o nome da música. Se chamava “Santa Maria” de um grupo musical famosíssimo, o “Gotan Project”. E ressoava assim:
Que delícia! Pensei eu. Uma dança só pra mim, será que eu merecia aquilo tudo?! Aquele homem envolvente, de olhar sedutor, corpo caliente, vindo em minha direção. Seu cheiro estava por todo canto daquela sala. E para mim aquele cheiro mais parecia um elixir afrodisíaco que mexia com cada sentido meu. Veio desabotoando a camiseta e me olhando fixamente, só movia as pernas e os pés. Como dançava bem aquele homem! Poderia levar qualquer mulher à loucura! E vejam só, era para mim que ele dançava. Era a minha atenção que ele desejava chamar. Me sentia maravilhosamente desejada.

Comecei a me movimentar também, ao som do tango. Nossos corpos eram livres naquele momento, livres do mundo, porém presos um ao outro. Fui andando em passos lentos avançando em direção a ele. E de forma envolvente nossos corpos se entrelaçaram harmoniosamente. Num giro de 360 graus fui parar nos braços de Bruno que me segurou quando estava prestes a encostar-me no chão. Foi me subindo lentamente e faltando pouco para ficarmos de pé novamente ele me puxou bruscamente para perto de seu corpo. Aquela música intensa e dramática nos envolvia num clima freneticamente sedutor.

Meus lábios novamente se encontravam com os de Bruno que dessa vez não deixou escapar. Envolveu-me com um de seus braços e com o outro acariciava meu rosto em passadas lentas e suaves. Todos os poros do meu corpo desejavam Bruno.
Bruno deslizou a mão descendo entre meus seios tocando-os levemente. Sussurrava as poucas letras do tango curtas e impactantes em meu ouvido. Sentia o hálito de Bruno quente, provocativo. Num ato espontâneo virei-me ao encontro de seu rosto que me olhava com um ar de seriedade. Beijei-o louca e incessantemente, com as duas mãos segurando o rosto dele. Bruno soltou meu corpo e continuou me beijando sem me tocar em parte alguma. O desejo mais parecia meu do que dele. De repente, com uma das mãos, segurou meu ombro e foi me afastando devagar. Eu só olhava pra ele, perplexa. Como é doce a submissão. Ele não precisava dizer nada. Eu estava ali, entregue à Ele. Desejando-o. E num gesto firme e sem alterar nada em sua face Bruno puxou meu vestido que se rasgou ao meio como se uma faca tivesse passado ali de fora a fora. Levei um susto que transparecia em meu rosto. Estava exposta. Como Bruno gosta, pensei eu.
Não tentei me esconder. Pelo contrário. Provoquei-o mais.

- Gosta do que vê?

Bruno lançou um sorriso sacana de lado e veio mais perto. Num abraço apertado foi sugando meus lábios e passeando com as mãos pelas minhas costas foi procurando o feche do sutiã. Cheirando meus cabelos abriu um por um e, quando faltava o último feche, Bruno levantou meus cabelos com uma das mãos e com a outra desceu rapidamente o sutiã pelos meus braços. Eu não o ajudava nem um pouco. Gostava de me sentir bonequinha de Bruno que continuava com as provocações. Passava as mãos em todo o meu corpo. Meus biquinhos estavam durinhos e Bruno veio beijando e dando mordidinhas nele enquanto eu remexia meu corpo desmonstrando todo o tesão que estava sentindo. Bruno me jogou no sofá e ficou ai por alguns instantes me contemplando. Não aguentei e lancei um olhar cético pra Bruno. Refletindo se a finalidade de Bruno era meu corpo. Se tudo que eu significava pra ele se resumisse ao meu corpo. Fiquei meio chateada mas o desejo era grande demais. Não resisti:

- Vem pra sua prostituta particular, vem! – Falei em tom irônico, mas Bruno não se sentiu atingido:

- Se fosse só minha! Mas puta é sempre puta! Vi isso hoje! – dizendo isso Bruno tirou toda a sua roupa e se deitou em cima de mim, não me deu tempo à resposta e veio logo me beijando. Apertava meus seios com toda a intensidade que conseguia. E tenho que admitir, as aulas de Jiu-Jitso fizeram muito bem à ele. Percorreu meu corpo com uma das mãos e logo estava tirando minha calcinha. Era um fio-dental que com outro daqueles puxões de Bruno se soltou do meu corpo deixando só a marquinha de onde ficou pressionada antes de se rasgar por completo.

Bruno veio tocando minha xaninha que naquele momento estava toda enxarcada. Ele sabia como ninguém como despertar meu tesão só mexendo nela. Aquela pressão que a mão de Bruno fazia pelo fato de estar entre meu corpo e o dele deixava o toque mais gostoso. Bruno percorria todos os cantinhos de minha xaninha e com um aperto só ele conseguiu achar o que procurava, meu clitóris. Fui ao delírio, soltei um gemido que nem eu esperava. Ele, que estava adorando me ver entregue daquela forma, continuou movendo os dedos em cima do meu clitóris. Fazia voltinhas com a pontinha do dedo em cima dele enquanto eu me movia freneticamente. Era um tesão, já estava doida pra gozar, pedia pra ele e ele balançava a cabeça dizendo que não podia. Bruno parou de mexer e com a mesma mão que antes tocava minha xaninha segurou o pau dele que estava latejando de tanto tesão.

- Não para! – eu disse quase sem forças

- Não parei! – Dizendo isso Bruno enfiou o pau dele de uma só vez em minha xaninha e começou a estocar fortemente. Eu já não me continha de desejo e gemendo pedia pra ele:

- Mais, mete mais!

- Quer tudo é sua vadia?

- Quero! Me dá! – pedia sussurrando no ouvido de Bruno que metia cada vez mais forte.

- Toma! – começou a bombar bem forte e quando percebeu que eu não aguentaria as estocadas por muito tempo segurou meus braços pra cima e veio com o membro inchado e melado colocando tudo dentro da minha boquinha. Gozou extasiadamente esguichando porra pra todo canto do meu rosto. Eu catava cada gotinha próxima à minha boca mas não estava totalmente satisfeita. Meu tesão ainda era muito grande. Bruno sabia que eu não me satisfaria daquela forma e veio com aquelas mãos maravilhosas em cima de mim novamente.

Tocava cada pedacinho do meu corpo. Sussurou:

- Prometi ser um amante inesquecível hoje, não foi!? – não me deu tempo à resposta – E é exatamente como vai ser!

Foi até o barzinho e voltou com um balde de gelo. Pegou uma pedrinha e colocou na boca, chupando de forma sexy. Com outra pedrinha começou a percorrer meu corpo. Aquele frio entrava em choque com meu corpo quente e a água que escorria deslizava pela minha barriga me causando mil sensações. Bruno, ainda com a pedrinha de gelo na boca segurando-a entre os dentes veio passando pelos meus seios deixando encostar só nos biquinhos. Me arrepiava todinha.

- Como é cruel! – falei pra Bruno que me respondeu apenas com um olhar.

Parou em cima de um seio e soltou a pedrinha de gelo que escorreu em direção ao meu umbigo. Ele então, com a boca livre, começou a chupar meus seios. Ainda estava geladinha e me arrepiava quando ele soltava de propósito o ar quente de seus pulmões em direção a parte avermelhada de meus seios. Foi descendo e logo senti sua boca chupando freneticamente minha xaninha. Passeava com a língua por cada cantinho. Esticou os grandes lábios e começou a sugar meu furinho enquanto metia a língua dura dentro dele. O tesão estava à tona novamente. Bruno abriu minhas pernas mais ainda e ficou em cima de mim como se estivéssemos num 69. Esticou novamente minha xaninha mas não demorou muito para eu perceber que a intenção dele era outra. Deu um chupão em meu grelhinho e com a outra mão colocou o gelo no meu furinho.

- Ainnnnnnn!!!! – Susto e tesão ao mesmo tempo, se ele não tivesse tirado gozaria na hora.

- Quetinha! – resmungou Bruno

Outra vez colocou o gelo em meu buraquinho e pressionou fazendo voltas em torno dele.

- Humm. – gemi loucamente com as provocações de Bruno que retirou o gelo e enfiou bruscamente dois de seus dedos dentro do meu buraquinho.

- Ahhhhh… posso???? – pedi, implorei na verdade. Não estava aguentando o prazer que Bruno provocava em mim.

- Deve! – e com estocadas fortes de seus dedos no meu cuzinho eu gozei demoradamente. Sentia meu corpo se estremecendo por completo e mal conseguia olhar o rosto de Bruno em minha direção e aquele sorrisinho sacana entre os lábios.

Realmente havia sido uma noite maravilhosa. Se Bruno desejava marcar sua vida na minha, aquela noite premeditada havia sido perfeita para isso. Mas eu sabia que Bruno não havia me levado lá só para me mostrar que era um amante perfeito. Ele também iria me provar que poderia ser um Dom muito rígido. E eu ainda temia o que poderia estar por vir

Amanheci nos braços de Bruno. Olhei a nossa volta, estávamos no quarto principal e eu não fazia a mínima idéia de como fomos parar lá. A única coisa que eu tinha certeza absoluta era que os momentos agradáveis haviam acabado quando resolvi abrir os olhos.

- Bom dia, Bela Adormecida!

Meio inconformada por meus olhos terem me traído respondi:

- Será que terei mesmo um bom dia?

- Isso vai depender do seu ponto de vista! A minha manhã será perfeita, disso eu sei!

– dizendo isso Bruno se levantou e seguiu em direção ao banheiro – nossa secretária já está lá em baixo preparando nosso almoço já que “café da manhã á essa hora não é recomendável”, palavras dela!

- Tanto faz, não estou com fome mesmo. Na verdade estou com uma enxaqueca terrível. Acho que foi a bebida de ontem. – falei enquanto me levantava da cama.
Bruno me observava enquanto caminhava até a porta do quarto. Fui em direção à um hobby que havia ali perto. Quando fui vesti-lo Bruno questionou na hora.

- O que pensa que está fazendo?

- Vestindo o hobby já que meu vestido está inutilizável. Esqueceu-se do estrago que fez nele?

- Não, não me esqueci. E não! Não vai usar nada! – estremeci por dentro ouvindo estas palavras saindo da boca de Bruno. Sabia muito bem que quando ele usava este tom era porque não gostaria de ser contrariado. Fiquei ali, esperando que ele voltasse atrás, mas não aconteceu.

- Mas amor, tem gente em casa. Como vou descer.

- Linda assim! E lembre-se, sem nada! – falando isso Bruno saiu fechando a porta do quarto deixando apenas seu cheiro e a certeza de que eu não deveria desobedecê-lo.

- Meu Deus! – exclamei sem nenhuma calma. – Como vou fazer isso? Nem sei quem é a tal secretária! Como vou aparecer nua na frente de alguém que nunca vi na vida?! – a inquietude foi invadindo meu corpo, um sentimento de raiva e tesão, sensação de impotência, uma impaciência que me fazia sentir calafrios. Por fim percebi que já estava suada por inteiro, aquela mistura de sentimentos e sensações não estavam me fazendo bem.

– Vou tomar o banho mais demorado que eu conseguir! – pensei em voz alta – Quem sabe assim a secretária não vá embora logo e eu não tenho que passar pela vergonha de cruzar com ela pelo caminho!

Entrei no banheiro e por lá fiquei por um bom tempo. Tudo que conseguia fazer enquanto me ensaboava era pensar nos últimos acontecimentos. Tudo vinha na minha cabeça de forma embaralhada. Lembrava de Carlos no canto da churrascaria, pensava naquela cara de garoto safado que ele tinha (apesar de já ter seus 27 anos). Lembrava do olhar sedutor de Bruno, naquelas mãos fortes, naquele jeito de me conduzir, de me dominar. Enfim, estava perdida em meus pensamentos quando de repente me deparei com Bruno me observando da porta do banheiro. Na hora levei um susto tremendo. Ah, se Bruno pudesse ler meus pensamentos. Não iria gostar nem um pouco de saber que Carlos ainda rondava por eles.

- Já estou acabando!

- Com certeza deve estar pensando que seu truque de demorar no banho afastaria qualquer situação embaraçosa que poderia vir a acontecer, não é verdade?

- Err… não estava pensando nisso Bruno! – falei tentando descobrir como aquele homem poderia saber tanto de mim assim.

- Só você mesmo Letícia! Que idéia mais boba e deliciosa! Pelo menos pude deleitar-me apreciando seus movimentos enquanto a água caia em seu corpo! – falou ele pegando a toalha e lançado-a para cima de mim – Saia já daí! Não quero desperdiçar momento algum!

Peguei a toalha, me embrulhei nela e fui caminhando em direção à Bruno. Meu olhar era de súplica agora. Não ousei levantar uma única palavra, mas ele sabia o que eu estava tentando pedir com os olhos.

- Adoro esse seu jeitinho vadia de ser! Mas não vou te dar isso agora não! Vamos, se seque e desça que estarei esperando por você na sala de estar!
Baixei a cabeça e respondi um “Sim Senhor” tão frio quanto aquele momento me pareceu.

Bruno desceu e eu fiquei me arrumando para aparecer na frente da “secretária” pois sabia que não haveria outra saída. Cabelos; maquiagem; salto alto, como Bruno havia recomendado; perfume e pronto! Me olhei no espelho e vi meu rosto mais vermelho do que o blush poderia ter deixado. Era a vergonha e a timidez estampada para quem quisesse ver.

Numa tentativa de me acalmar pisquei pro meu reflexo no espelho e falei:

- Afinal, não será tão difícil assim! Você tá linda! – hunf, mesmo faltando todas as peças do vestuário, eu pensava.

Desci a escada apreensiva. Olhava para todos os cantos e buscava encontrar a tal secretária. Parecia até que o fato de eu encontrá-la faria com que eu pudesse evitar que ela me visse ou que um vestido mágico aparecesse de repente. Ledo engano. Procurei por Bruno e lá estava ele. Lindo! Na sala de estar como combinado. Nada da secretária. Caminhei até ele que me observou de cima a baixo, analisando cada detalhe de meu corpo.

- Júlia!

E veio a tal secretária correndo para atendê-lo parando perplexa ao me ver ali, despida, usando apenas a maquiagem e o salto que deixava meu corpo mais em evidência ainda.

- Ele conseguiu mesmo a bonequinha de luxo! – pensei eu talvez mais perplexa ainda, com a cara no chão, indignada. Meu rosto estava tão vermelho que deixaria qualquer camarãozinho morrendo de inveja naquele maldito momento. Olhei para a cara de Bruno que parecia extasiadamente satisfeito com a reação de ambas. – filho da puta! – eu pensava – como pode fazer isso comigo? Porque gostava de me deixar assim, no chão, completamente humilhada? E eu, uma covarde! Porque eu aceitava tudo aquilo? Podia muito bem dizer que não e sair dali. Mas não, tinha que ser fraca o suficiente para prender a atenção de Bruno. Ele gostava assim e eu estava inteiramente em suas mãos.

- Sim Senhor!? – disse Júlia desviando o olhar perplexo para Bruno.

- Pode servir! – falou sem nenhuma expressão no rosto.

- Está bem senhor Bruno!

Bruno levantou uma das mãos para buscar a minha, mas eu desviei e lancei um olhar fulminante para ele.

- Canalha!

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